Brasileiro disputa com o americano título vago da categoria peso-mosca do UFC

Desde abril, quando ficaram frente a frente pela primeira vez durante uma coletiva do UFC, Marlon Moraes e Henry Cejudo tiveram a rivalidade ainda mais acirrada. Os dois duelam neste sábado, em Chicago, no UFC 238, pelo cinturão peso-galo do evento, vago após o doping de TJ Dillashaw. Sem entrar nas brincadeiras do americano, que disse ter uma surpresa para a próxima encarada entre eles, o brasileiro está confiante em trazer o título para o país.

– Ele quer uma coisa que eu quero muito. Como é que eu vou gostar de um cara que está querendo pegar uma coisa que eu quero muito? Eu joguei bola até os 15 anos. Uma vez teve, em uma brincadeira no treino, eu levantei assim (com o punho cerrado). O meu treinador falou comigo: “Caraca, você é lutador mesmo. A sua primeira reação foi de meio que lutar”. Então não importa o que ele fizer, brincadeira, provocação, nada vai mudar sábado. A minha missão é sábado à noite, vou botar meu pé direito dentro do ringue, vou entrar lá e fazer o que eu sei. Provocações à parte, ele pode fazer o que quiser. Depois quem vai ficar de chacota vai ser ele – contou o brasileiro.

Desde o UFC 212, em junho de 2017, o Brasil não tem um cinturão masculino do evento. Na ocasião, José Aldo perdeu o título dos penas para Max Holloway. De lá para cá, entre os homens, duas tentativas que acabaram frustradas: o manauara perdeu a revanche contra o havaiano em dezembro do mesmo e ano e, em 2018, Rafael dos Anjos foi superado por Colby Covington num duelo pelo título interino dos meio-médios.

Marlon entende a pressão da torcida por um novo campeão brasileiro do Ultimate, mas encara como motivação.

– Eu sou brasileiro, né? A gente sabe como é o povo brasileiro. É bom ser campeão, Essa semana, inclusive, eu vi um carro de Fórmula 1, e eu falei pro cara que eu era fã de Fórmula 1, que quando eu tinha seis anos eu assistia o Ayrton Senna. E é uma coisa impressionante…eu tenho 31 anos hoje, já se passaram 25 anos e eu ainda me lembro de assistir ele. O nosso povo, a gente sente necessidade por esse ídolo, por esse cara que está vencendo, que está nas cabeças. Acho que é uma nova chance de ter um homem campeão do UFC. E não só ter um homem, mas ter uma motivação: “Tem aquele cara lá, vou também. Tem o Marreta chegando aí também”, pra acreditar nele também vencer – disse ele.

Ex-campeão do WSOF, Marlon defendeu o título peso-galo do evento por cinco vezes. Em 2017, entrou no UFC e, até agora, em cinco lutas, perdeu apenas uma vez, na estreia, contra Raphael Assunção. A última vitória foi em Fortaleza, em fevereiro desse ano, quando teve a revanche contra o compatriota. Após superar o brasileiro, Marlon se tornou o número um do ranking peso-mosca no UFC.

– Estou muito focado nessa luta em não deixar nenhuma brecha e aproveitar todas as oportunidades. Eu quero entrar lá e mostrar tudo o que eu sei e tudo o que eu trabalhei nesses últimos meses – não só nesses últimos meses, mas nesses últimos anos. São 20 anos dedicados à luta. Então eu acreditei em mim, trabalhei muito pra chegar até aqui, não foi fácil, mas estou preparado. Tenho as armas, estou num momento muito bom e a galera não pode piscar, porque estou preparado realmente pra chegar lá e vencer – falou Marlon.

Dois anos mais velho que o brasileiro, Henry Cejudo é o único lutador da história a ser campeão olímpico (ganhou o ouro no wrestling em Pequim, 2008) e campeão do UFC. Atual detentor do cinturão peso-mosca da organização, o americano vem de quatro vitórias seguidas.

– O Cejudo é um cara muito perigoso, é um wrestler muito bom, tem medalha de ouro, já lutou diversas competições e já provou as suas qualidades. No MMA é um cara que vem crescendo, chegou no UFC ainda não tão preparado para lutar o MMA, foi crescendo, foi melhorando luta após luta. Teve aquela luta com o Demetrious Johnson, que muita gente esperava que ele não fosse vencer e ele surpreendeu a todos e saiu vencedor, ganhou o título. E acabou de nocautear um cara que é um dos melhores, na minha opinião, que é o TJ Dillashaw. Vem numa crescente muito boa. É um cara que é muito perigoso e a gente tem que ficar de olho aberto ali o tempo todo. É um cara que é perigoso no chão e é perigoso em pé, mas eu estou preparado – disse o brasileiro.

Fonte: Globo Esporte

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